Por Andreza Rodrigues*

Desde março, quando começou a pandemia e tivemos nossas rotinas totalmente revisadas, uma parceria com o Observatório de Favelas nos colocou um desafio. Nós, professoras e alunas da Escola de Enfermagem Anna Nery, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, já tínhamos um projeto de extensão sobre os Saberes em Saúde, através do qual nos questionamos como saberes circulam dentro e fora da universidade.

Mas a provocação do Grupo de Trabalho do Observatório colocou a gente pra pensar sobre “Como se proteger do Coronavírus?”. O melhor de tudo: possibilitou a todos nós pensarmos juntos em como comunicar com moradores de favelas e periferias essa avalanche de novas informações que a pandemia nos requisitava.

Esse trabalho conjunto, de profissionais e moradores, nos ensinou muito! Encontros online, pauta, discussão rica e coerente com as realidades vividas nas favelas e com as necessidades de conhecimento conectado com a vida das pessoas, que também sabem muito. Nessa jornada, novas perguntas surgiram: como a Universidade responde às necessidades da sociedade? Como tornar cada vez mais acessível o saber científico?

E o mais importante, como, com os diferentes saberes, podemos construir sínteses, formas de saber que de fato tenham efeito na vida das pessoas? Ainda não temos todas as respostas, mas os caminhos por onde temos seguido têm mostrado que falar sobre a pandemia e como se proteger do coronavírus é o começo de uma jornada de parceria, e de novos modos de saber e aprender juntos.

O processo de produção coletivo foi sempre muito rico! Era preciso explicar o que é o vírus, cuidados básicos com a casa, com a saída para a rua, com a ida ao mercado, com o uso do transporte coletivo e muito mais. O formato – meme, áudio e texto – foi um exercício e tanto para todos da equipe.

No entanto, esse pessoal inquieto e comprometido foi além: precisavam levar de mão em mão essa informação! Afinal, nem todos estão nas redes sociais e todos têm direito à informação sobre como se cuidar em tempos de pandemia. Era hora de fazer um corpo a corpo (com toda a segurança que o momento requer) e entregar para as pessoas a Cartilha Como se proteger do Coronavírus!

Passados os meses, permanece a certeza de que juntos ajudamos a cuidar da vida de muitos e que ainda precisamos continuar cuidando! A pandemia ainda não acabou! A cartilha, além de ser uma nova forma de apresentar o conteúdo da campanha, é também uma forma de dizer: a resistência pela vida de todos continua e continuará nos guiando!

Juntos produzimos e esperamos que, a cada cartilha distribuída, juntos possamos nos cuidar! Cada um de onde estiver, com o conhecimento sobre como se proteger, protege a ele, a mim e a todos nós!

*Andreza Rodrigues, enfermeira e professora na Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ e coordenadora do Saberes em Saúde e participou da Campanha Como Se Proteger Contra o Coronavírus do Observatório de Favelas.