Alô meu povo, a hora é essa!

Por: Rodrigo Bodão* (rodrigo@observatoriodefavelas.org.br)
Fotos: Bira Carvalho** / Imagens do Povo

O carnaval chegou e o povo já se veste com as alegorias que acendem a céu aberto suas fantasias e desejos. A agenda dos blocos que alimentam a folia de alegria vai sendo percorrida, traçando rumos que bem podem ser perdidos e alterados com o andar da carruagem dos corpos suados, zuados, colados.

Tem quem acorda cedo e troca o lugar quente da cama pelo calor do Bola Preta. Tem quem fica em casa e recebe os amigos e parentes, descansando e festejando em família. Tem blocos pra todos os gostos e ritmos: samba, frevo, fanfarra, maracatu, funk, ijexá e até rock and roll. A alegria promete e a ansiedade toma conta da multidão.

Tudo seria festa, mas infelizmente, ao menos nesses dias que correm, não tem sido bem assim na cidade maravilhosa… Nas favelas da cidade, principalmente, o cerco aperta e os conflitos e confrontos minam a alegria momesca dos seus moradores. Ávidos de sorrisos, loucos para mudar a trilha sonora de suas vidas, o ritmo das emoções e esquentar o peito e os tamborins. Ouvir fogos que anunciem a entrada das escolas na avenida, no panteão sagrado e profano da Sapucaí.

Existem aqueles que praguejam contra a festa, diante da tensão e das injustiças cotidianas que acometem esse povo sofrido. Também há quem veja na festa somente a alienação do circo e pão. É compreensível, mas confesso que não sou desses. Definitivamente, não sou desses, não.

Muito pelo contrário, acho que agora mais que nunca é a hora de se entregar e festejar a vida, a alegria de estar vivo e deixar fluir a magia, a energia, a comunhão. Não pra esquecer os problemas, não. Mas sim para se fortalecer na legião de corpos ardentes, vibrantes, cantantes, transantes, repletos de vida, na convivência festiva das gentes de todo lugar do mundo, na potência humana desse encontro, nessa orgia de olhares, suores, salivas, beijos, abraços e amassos na rua, na avenida, num cantinho ali – vem cá – ou no salão.

Recarregar a bateria e seguir em frente com mais força e calor no coração. Hora de se dissolver na multidão e deixar fluir a nossa humanidade e a sensibilidade que causa arrepios, entorta a espinha e sacode os quadris.

Nas favelas, nos subúrbios, pelas praias, todos becos e ladeiras, bate-bolas e caciques, pierrôs e colombinas, confetes, serpentinas. Vista sua alegria, brinque, invente sua fantasia, brinde, dispa a mente dos preconceitos e queixumes e se permita ser feliz.

Muita água, muita água, use sempre camisinha, pra alegria não carece moderação. E paz, muita paz no coração. Vai, vai, vai, solta tudo, solta – mas volta, viu gente, volta, firme e forte, porque a vida segue em frente.

Evoé, meu povo! Se joga! Bom carnaval!

*Rodrigo Bodão é psicólogo e poeta. Autor do livro “22 Devaneios de Um Poeta à Deriva”.

** Bira Carvalho é coordenador do Imagens do Povo e morador da Maré. As imagens foram capturadas no carnaval de rua da favela.

“Alegria é uma forma de resistência poderosa , Vivendo um momento de crise política e ética dos que governam o morador teima em tentar ser feliz.” Bira Carvalho

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