Rio de Janeiro – Em 2009, organizado por Jailson de Souza e Silva, Jorge Luiz Barbosa, Mariane de Oliveira Biteti e Fernando Lannes, o Observatório de Favelas lançava a publicação “O que é a favela, afinal?”. O livro foi o resultado do Seminário homônimo que sob o desafio de pensar a favela de modo amplo, crítico e inovador reuniu representantes de instituições governamentais, acadêmicas e da sociedade civil. A atividade era parte das comemorações de 8 anos da instituição. Hoje, 10 anos depois, então chegando aos 18 anos de existência, o Observatório de Favelas segue a sua trajetória e realizou no mês de agosto o Seminário Defesa da Democracia em tempos ultraconservadores. Assim como em 2009, convidamos diversos atores da sociedade para refletirmos coletivamente o que entendemos como democracia e, acima de tudo, como superamos esses tempos de retrocessos que vivemos.

A reportagem de cobertura do “Seminário Defesa da Democracia em tempos ultraconservadores” é que abre o nosso “Notícias & Análises” de agosto. No “Dezoito anos em defesa da Democracia!” Gabriela Anastácia, jornalista do Observatório de Favelas destaca os principais momentos da atividade que aconteceu na Maré nos dias 23 e 24 de agosto. O evento foi organizado pelo Observatório de Favelas em parceria com a Uniperiferias, Redes da Maré e Casa Fluminense e apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil. O Seminário marcou a centralidade do debate sobre a democracia, o momento de saída da diretoria do Observatório de Favelas do fundador Jorge Luiz Barbosa e a comemoração dos nossos 18 anos de existência.

É também sobre comemoração o “Imagens do Povo – Quinze anos democratizando o acesso à linguagem fotográfica” que consiste em uma entrevista com o fotógrafo e coordenador – ao lado do também fotógrafo Bira Carvalho – do Programa Imagens do Povo, Francisco Valdean. Em suas respostas, Valdean que foi aluno da primeira turma do IP fala um pouco da trajetória do premiado projeto, como sua vida se confunde com a história do Imagens do Povo e quais são os planos e projetos para o futuro do Programa que devido a sua centralidade no Observatório de Favelas significa também falar dos próximos passos da instituição.

E, como nos ensina a Sankofa (um dos ideogramas utilizados pelo sistema de escrita Adinkra, que compunha as várias formas de expressão escrita existentes na antiga África), a gente precisa olhar o passado para pensar o futuro. O conteúdo que encerra o nosso “Notícias & Análises” de agosto é o artigo “É ali onde minhas raízes estão fincadas” escrito por Fernando Lannes que atuou no Observatório desde a sua fundação, até 2009, tendo sido um dos seus diretores no período de 2005 a 2009. Atualmente ele é Professor e Pesquisador Sênior da Universidade de Dundee, Escócia. Apesar da distância física, Lannes segue acompanhando o trabalho e fala com muito afeto da instituição que ajudou a construir.

E são certamente esses laços de afeto que nos fazem seguir. Nos pretendemos sempre revolucionários. Em tempos progressistas, conservadores ou de retrocessos seguimos afirmando a nossa agenda de redução das desigualdades almejando uma democracia plena em que corpos faveladxs, negrxs, femininos e LGBTs possam existir e atingir suas potencialidades. Por mais vida! Por mais direitos! Por mais afetos!

Boa leitura!