Por Gabriela Anastacia (gabriela@observatoriodefavelas.org.br)
Fotos: Marcia Farias – IMJA – Instituto Maria e João Aleixo/Imagens do Povo

Rio de Janeiro – Na sociedade brasileira os artistas de rua sempre enfrentaram muitas dificuldades para intervir artisticamente nos espaços urbanos e, ainda, se deparam com barreiras por parte da população e do poder público. Neste contexto, o Grafite arte que surgiu na década de 1970, em Nova Iorque, quando alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade. Essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos. E um dos nomes contemporâneos de destaque é do artista plástico autodidata Tiago Tosh, 37 anos, idealizador do conceito de Etnograffiti, que criou a partir de estudos sobre a floresta.

Dos bairros da Leopoldina para o Brasil, o talentoso cria da Penha transpassa os muros de concreto da cidade com suas intervenções artísticas. Tiago vive um relacionamento de puro amor com o território e suas veias, ruas, becos, vielas e florestas. E gosta mesmo é de estar próximo as matas, da água doce e salgada, que é onde afirma tirar forças para viver e sobreviver neste mundo.

Abandonou o curso de comunicação no quarto período e resolveu investir e acreditar na potência de seu ofício. Sua história com a floresta e os povos indígenas começou quando conheceu a doutrina do Santo Daime, a religião da floresta. A partir daí se lançou numa imersão para aprofundamento na cultura indígena e, em 2008, mudou para Rio Branco (Acre) onde nasceu a religião. O resultado dessa vivência é retornar ao Rio com o Etnograffiti, um conceito dentro do graffiti que lida com as questões étnicas dos saberes dos antigos, personagens que remetem todo esse universo indígena através de muitas simbologias e elementos.

“Acredito que o meu maior diferencial seja o tema abordado, a floresta e os povos indígenas, por ser um trabalho muito conceitual, desenvolvido com pesquisas profundas. Na sua dimensão material e espiritual, que inclui as relações sociais, a relação com a natureza e com a sobrenatureza de nossa ancestralidade Indígena”, afirma Tosh.

Para o futuro Tosh deseja aprimorar ainda mais suas habilidades como artista e como ser humano, além de estabelecer o que chama de caminhos de diálogo entre o saber ancestral e contemporâneo, entre a floresta e o urbano. E deseja que sua arte possa levar ao estado de reconexão, pois reforça que não faz só pinturas, são trabalhos espirituais, com toda energia expressada através de signos, cores e valores ancestrais medicinais.

Prêmio de artes visuais

O Prêmio PIPA, criado em 2010, é um prêmio brasileiro de artes visuais para consagrar artistas já conhecidos no mercado de arte brasileiro que vêm se destacando por seus trabalhos. O PIPA Online é a categoria online, onde é o público quem decide o vencedor através de votações no site. E Tiago Tosh integra os nove talentos que obtiveram mais de 500 votos e se classificaram para a segunda etapa.

“Está sendo incrível participar desta fase do Prêmio Pipa com excelentes artistas brasileiros, 60 mais precisamente e poder ficar entre os nove mais votados é lindo e emocionante, um sopro renovador e impulsionador. Por ser algo bastante interativo, dependemos das pessoas para alcançar o objetivo final que é a vitória. Além das possibilidades que se desdobram estando no catálogo de uma organização como o prêmio, e estando entre os finalistas, só posso agradecer! Aliás esse é meu lema pra vida, ser eternamente grato por tudo, mas por tudo mesmo, pois a gratidão é um dos sentimentos mais nobres que se pode ter…. então, vamos agradecer!!!! caminhos abertos para seguir.”

O segundo turno de votação vai de 29 de julho a 05 de agosto. O primeiro e segundo artista mais votados até o final do 2º turno serão premiados com doações de R$10 mil e R$5 mil, respectivamente. Saiba mais e vote em: http://www.premiopipa.com/artistas/tiago-tosh/