Por Laerte Breno, Agência Narra

Rio de Janeiro“É preciso fazer do luto um verbo e seguir lutando”. A afirmação de Bruna Silva sintetiza a experiência da “Roda de Conversa: Raça e Direitos Humanos”, realizada pelo Observatório de Favelas em parceria com a Conectas. O evento reuniu ativistas e pesquisadores negros com o objetivo de compartilhar a produção de conhecimento sobre os temas.

Mãe de Marcus Vinicius, adolescente baleado e morto durante uma operação policial na Favela da Maré em junho de 2018, Bruna acredita que falar sobre o filho é uma forma de manter viva sua memória. A dor, no entanto, está longe de ser uma exceção. Bruna luta ao lado de outras mães na Rede Nacional de Familiares de Vítimas do Estado, que reivindica o fim da violência institucional e policial contra pessoas negras e pobres.

Bruna Silva fala sobre a atuação da Rede Nacional de Familiares de Vítimas do Estado (Foto: Laerte Breno)

Bruna Silva fala sobre a atuação da Rede Nacional de Familiares de Vítimas do Estado (Foto: Laerte Breno)

A atuação da rede e de coletivos similares também foi abordada por meio da exibição do minidocumentário “Luto para Nós é Verbo”, da diretora Natasha Néri. A produção faz parte da 28ª edição da Revista SUR – Revista Internacional dos Direitos Humanos, lançada pela Conectas no evento. A publicação semestral divulga pesquisas e ideias inovadoras para prática do tema em escala global.

Mediadora da mesa, a pesquisadora do eixo de Direito à Vida e Segurança Pública do Observatório de Favelas, Aline Maia, também contribuiu para a edição da SUR. No artigo, a socióloga apresenta os tribunais populares como forma de incidência política sobre violência letal contra a população negra e reflete sobre como as violações são cotidianas.

A antropóloga Aline Maia, a editora da Revista Sur Maryuri Grisales e o futuro cientista social Rhuann Fernandes compartilham sobre pesquisas que integram a 28ª edição da SUR (Foto: Laerte Breno)

A antropóloga Aline Maia, a editora da Revista Sur Maryuri Grisales e o futuro cientista social Rhuann Fernandes compartilham sobre pesquisas que integram a 28ª edição da SUR (Foto: Laerte Breno)

A programação contou ainda com a inauguração da exposição “Becos, Vielas, Favelas”, da Agência NARRA, na Galeria 535. A produção apresenta o trabalho desenvolvido pelos 11 jovens jornalistas e sintetiza a primeira reportagem produzida pelo grupo: como as crianças das favelas fluminenses têm construído suas identidades pautando a importância do debate racial. A NARRA é uma agência escola de jornalismo formada majoritariamente por negros e mulheres. O projeto é executado pelo Observatório de Favelas em parceria com o data_labe e apoio da Ford Foundation.

A NARRA, agência escola de jornalismo do Observatório, inaugurou exposição fotográfica na Galeria 535

A NARRA, agência escola de jornalismo do Observatório, inaugurou exposição fotográfica na Galeria 535

A coordenadora do Núcleo de Reflexão e Memória Afrodescendente da PUC-Rio, Thula Pires, elogiou a escolha da Maré como sede para o evento e defendeu que os assuntos abordados ganhem mais visibilidades nas periferias. “Esse tipo de território é onde os temas fazem sentido, porque estamos habituados a falar sobre direitos humanos em lugares que estão muito distantes da realidade”, avaliou a professora de Direito.

Leia mais sobre a 28ª edição da Revista SUR: https://sur.conectas.org/sur-28-carta-as-leitoras-e-aos-leitores/

Os graduandos da Uerj, Alan Gonçalves e Suzan Stanley, aprovaram a significativa presença de pesquisadores negros no evento (Foto: Laerte Breno)

Os graduandos da Uerj, Alan Gonçalves e Suzan Stanley, aprovaram a significativa presença de pesquisadores negros no evento (Foto: Laerte Breno)

O encontro reuniu ativistas e pesquisadores ligados aos temas (Foto: Laerte Breno)

O encontro reuniu ativistas e pesquisadores ligados aos temas (Foto: Laerte Breno)