Por João Felipe Pereira Brito* (joao@observatoriodefavelas.org.br)

Das horas que perdemos no trânsito, nas filas de loteria ou de banco, na espera da criança sair do colégio ou ser atendida na UPA. Das horas que perdemos de sono, das preocupações que nos bloqueiam por anos. Que tipo de tempo nós temos? Que raio de tempo nós somos?! Da correria pela manhã, da aceleração do almoço, da demora no retorno ou para, de novo, pegar no sono: qual é a parcela de tempo que nos resta para sermos do tamanho daquilo que sonhamos?

E das horas que gastamos para nós, de ócio, autocuidado ou entretenimento, quanto tempo temos? Das horas na cidade, fora de casa, aproveitando o que é nosso mas que um tanto longe está, quantos dias no ano? Do tempo livre que deixamos escorrer pelo ralo, o que desperdiçamos? A cidade nos pertence em que medida, por quanto, quando, antes, durante, enquanto o quê? Das vezes em que nos expandimos mundo afora, há tanto ontem, e tanto amanhã, sempre na medida do que buscamos. Dá até pra planejar uma vida nova, um novo bairro, um Rio pleno: de tempos em tempos, é inevitável que assim façamos.

Em dois tempos, agora e depois. De quatro em quatro anos, feito Copa do Mundo que tanto ganhamos. Onde você estava na Copa passada, onde estará quando o hexa vier? É a partir de marcadores como esse que nossa vida é contada, percebida. É desse tempo facilmente lembrado e ritualizado que construímos o que somos: jogadores com pouco tempo de bola dominada, mas ainda assim jogando. Segunda tem jogo, de novo. Uma pausa em tudo para termos um acréscimo de vitória, ou tentativa dela, no corre-corre do que batalhamos.