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No mundo contemporâneo o movimento se sobrepõe ao repouso na reprodução da cidade, haja vista os fluxos de acumulação do capital, de realização do trabalho e de produção de mercadorias, por exemplo. É neste contexto que a categoria mobilidade emerge pra dar conta de compreender os fenômenos que impõem a circulação de sujeitos nas cidades e metrópoles mundiais. O presente boletim de Notícias & Análises do Observatório de Favelas trata deste tema repercutindo sua complexidade ao apresentar materiais que apontam a interseção, em geral conflituosa, entre as políticas urbanas governamentais e a agência autônoma de sujeitos no fazer de seu deslocamento e circulação na urbe.

Henrique Silveira, Coordenador Executivo da Casa Fluminense e membro do Conselho Estratégico do Observatório de Favelas, apresenta os entraves e as oportunidades de incidência política na gestão pública a partir do debate sobre as passagens, mais especificamente no caso do Rio de Janeiro, o bilhete único. A eficiência e a transparência na governança desta política pública têm potencial para transformar tanto a cidade como a Região Metropolitana do Rio.

A reportagem “Os mototáxis foram criados por trabalhadores. Cada vez mais não tem ninguém que briga por nós” de Gabriela Anastácia, jornalista do Observatório de Favelas, revela de forma definitiva a potência das periferias e seus sujeitos na invenção de soluções que enfrentam as desigualdades territoriais que lhes são impostas. Através de um personagem forte e dados reveladores, o texto propõe o reconhecimento do mototáxi como elemento vital da mobilidade em territórios populares e, consequentemente, da cidade como um todo.

Por fim, a entrevista realizada por Gabrielly Pereira com Tainá de Paula, arquiteta-urbanista e ativista das lutas urbanas, apresenta outra face do debate da mobilidade: sua indissociável interseção entre técnica, política, territórios e corpos. Em “Mulheres, Cidades e Mobilidade”, Tainá de Paula com seu brilhantismo característico, revela a reprodução de alguns elementos estruturantes da desigualdade brasileira, como o racismo e o machismo, na mobilidade urbana.

Em linhas gerais, constamos o papel central da mobilidade urbana na reprodução das desigualdades, no entanto, e até por isso, ela se torna um campo fundamental de enfrentamento e luta para democratização do espaço urbano. Ao invés de estimular a homogeneização, fragmentação e hierarquização dos territórios intraurbanos a mobilidade deve ser pensada, implementada e apropriada para romper a dicotomia centro/periferia e construir cidades policêntricas capazes de superar as distinções corpóreo-territórios de direitos.